«(...)quando se lembrava da loucura que cometeram ao enfiarem-se num veículo de resgate com 300 anos de idade, que não sabiam se funcionava, sabendo que tudo o que fosse electrónico se desligaria assim que tocassem na atmosfera de Artem. Parecia que ainda ouvia o som descendente dos motores a desligarem-se, os ecrãs e as teclas dos comandos a apagarem-se... Depois a luz azul daquele mundo invadira o exíguo Cockpit, as suas mãos apertaram as de Ladrego, e o nariz do artefacto enclinara-se abruptamente na direcção de Artem puxado pela força gravítica que o fazia estremecer à medida que acelerava. Lembrava-se, momentos antes da bola em tons de laranja e púrpura ter envolvido o artefacto, de ter ainda olhado, em jeito de despedida, para as estrelas do firmamento, pensado que voltara a fazer asneira – um último e derradeiro erro. Foram escassos os eternos segundos que sacudiram as entranhas dos seus corpos até chegarem à baixa atmosfera de Artem. Era noite e a enorme Lua iluminava os céus arrepelando o mar em ondas de grande altura. Só quando avistaram as falésias da ilha se aperceberam da enorme velocidade a que iam, e quando o casco da nave foi levantado por uma daquela ondas imensas temeram o pior... Mas fora isso que lhes permitira chegar a Artem sem se esmagarem nas arribas, embora não lhes tivesse poupado a uma aterragem catastrófica: o solo rasgara o casco da nave como se nada mais fosse do que uma lata de conserva; os detritos do chão foram sugados em ricochete para o interior do artefacto; os vidros não resistiram à trepidação que o artefacto lançado pelo chão sofria e acabaram explodindo em milhares de fagulhas acutilantes. Finalmente pararam, a escassa distância daquela enorme montanha que os levara até ali, deixando um rasto negro e fumegante ao longo daquela planície enorme, um trilho que se perdia de vista e que terminava nos restos contorcidos e enegrecidos da nave, que deixaram para trás como de uma história há muito esquecida se tratasse, mas reconheciam como símbolo do sacrifício que um mundo estava a fazer para auxiliar outro.»
in Império Terra II: Guerra da Pirâmide, pág. 250, by Paulo Pinto Fonseca
É bem verdade que os fans da Trilogia há muito que esperam o terceiro volume. Não é menos verdade que a crise tem servido de desculpa para muitas coisas, inclusive para justificar a recusa de trabalhos literários. Não é o caso do terceiro volume, pois ainda não o apresentei a nenhuma editora. É no entanto um motivo para refrear a minha vontade de publicar.
Não é segredo nenhum que fiquei desagradado com a Papiro - Império Terra: o principio; a editora HM, que editou o 2º volume - Guerra da Pirâmide -, ainda mais desagradado me deixou, pois permitiu que um livro - que vendeu mais de 50 exemplares no lançamento - ficasse esquecido nos armazéns, a ganhar pó e a cair no esquecimento. Todavia, neste momento, os direitos de ambos os livros estão na minha posse e gostaria de ver todos os livros da Trilogia publicados pela mesma editora.
Este tem sido o grande entrave para a entrega ao mundo do terceiro livro da Trilogia; esperar por um momento mais adequado.
Parece que a solução pode estar já aí.
O ebook é uma possibilidade imensa que vou começar a explorar. Tenho um projecto de Crowdfunding«Vamos Publicar Livros»; neste momento, estou a recolher contributos para a publicação de «Marta», um outro original meu. Contudo, correndo este bem, a Trilogia poderá ganhar nova vida no ano de 2015.
Fica aqui o video de apresentação.
Visitem-me no site do projecto para contribuirem e irem tomando conhecimento das novidades; quem contribuir tem recompensas.
«(...)Mais a sul, das encostas do Kaury, medrava o rio
Prirey que seguia os contornos do sopé daquela montanha até aos burgos mineiros
e depois descia até ao planalto de Carvalagory em dois pequenos rios, Rareor e
Carelmar, que se atiravam do alto das falésia para dentro do mar.(...)»
in Império Terra - Guerra da Pirâmide, pág.88, Paulo Pinto Fonseca